Minha mãe sempre adorou gatos. Passou esse sentimento para mim, para minha irmã e, por incrível que pareça, até para meu pai, que diz não se apegar nos animaizinhos. O resultado disso é que temos cinco felinos na nossa casa. Os bichanos chegaram de várias maneiras: ganhados e achados. Quando uma das gatinhas tem seus filhotes, minha mãe sempre arranja um jeito de ficar com um deles. Assim, temos o total de cinco e eu sinto que esse número ainda aumenta. Além deles, temos mais um cachorrinho. O Nyll, um linguicinha que encanta todos, inclusive os gatos.
Mas quero falar de uma gata em especial. A Roberta. Preta, gordinha, olhos grandes e expressivos. Recalcada, brabinha e nervosa. Essa é ela. Quem a vê, assim, não imagina de onde veio. Roberta veio das ruas. Minha mãe a encontrou e a tomou para si. Quando Bebeta chegou em nossa casa, não sabia nem miar. Comia o prato inteiro de ração. Pensávamos que ela achava que não teria mais o que comer depois de cada refeição. Parecia desesperada. Mas, logo ela se enturmou com a “galera” e hoje vive numa boa com todos. Aliás, virou a gatinha queridinha da casa. Dorme pelas camas, faz o que quer, resmunga quando não é atendida.
Porém o que eu quero deixar registrado é o olhar da Roberta. Ela tem uma cumplicidade com a minha mãe que é inexplicável. Dona Regina olha para Roberta e chama. A gata olha pra ela, dá um miado e vai onde ela for. É assim: unha e carne. Pelo o que eu vejo na minha casa vale a pena adotar. O bichano parece ser eternamente grato àquele que lhe ajudou e sabe como retribuir tudo o que lhe foi dado. É tanto carinho, cumplicidade, olhares. É lindo. Até quem não se comove com isso, fica um pouco amolecido, já falei do exemplo do meu pai. Seu Eli, agora, até conversa com eles.
Por saber disso, fazer este projeto foi gratificante, dolorido e prazeroso. Gratificante porque foi possível confirmar que muitas pessoas compartilham dos mesmos sentimos que a gente: querem ajudar. Dolorido porque ficou visível que não poderemos contribuir com nem a metade dos animais abandonados e judiados. Prazeroso porque é muito bom ver os olhares de quem adota e de quem é adotado. Tudo isso, você vai poder conferir nas fotos. Quem adota, ama e, além de tudo,é amado. Tente. Adote e veja você mesmo.
E NÃO PERCA: domingo na Praça Getúlio Vargas, durante a tarde, vamos realizar nossa primeira exposição fotográfica!! Leve sua família, curta o sol, aprecie nosso projeto e ajude o Abrigo!!
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O olhar não engana
By ME ADOTA?
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Um bebê pronto para brincar
By ME ADOTA?
Entre tantos animais do Abrigo, alguns conseguem cativar qualquer um que realize uma visita. Logo no primeiro dia, eu e a Bruna fomos recebidas pelo Bebê. Um enorme cachorro preto que até pode amedrontar quem não o conhece. Assim que nos viu, o grande Bebê ligeiramente foi buscar um pedaço de pau para brincar conosco.
Na verdade, ele representa o carisma e a carência de praticamente todos os animais que fazem parte do abrigo. A inocência dele, o olhar, às vezes triste, revela um passado de medos e de tristezas. Para ele, talvez, as brincadeiras com o pedaço de pau sejam as únicas lembranças do tempo que possuía família. Claro, hoje ele tem dezenas de irmãos que entendem perfeitamente o que se passa. Mas o Bebê também precisa de afagos e do calor humanos.
Em cada cheiro, cada latido, pulos e lambidas ele procura por isto. O Bebê quer ser ainda mais feliz, se sentir amado, importante. Assim como ele, outros procuram pelo mesmo. E, o mais triste, é que eles não irão encontrar essa alegria ao cavar um buraco ou enterrar um osso. A felicidade deles é só você que pode fazer. Adote o Bebê!
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